A mentalidade alemã: 3 frases que soam bastante egoístas | 3 deutsche Sätze, die sehr egoistisch klingen


Uma das grandes diferenças culturais entre brasileiros e alemães fica bem clara na hora de falar abertamente sobre seus limites e suas necessidades pessoais. Muitos afirmam que os alemães seriam muito diretos e “frios”. E realmente essa impressão pode surgir, quando uma pessoa que não conhece a cultura ouve algumas expressões bem comuns na língua alemã. Hoje eu quero apresentar três frases a vocês e mostrar o que está por detrás delas:

1) Digamos que o (alemão) Patrick tenha tido uma semana bem puxada no trabalho. Tudo o que ele quer é descansar no fim de semana, recarregar as baterias, dormir bastante… Como no sábado ele já tem um compromisso marcado, ele decide que o domingo vai ser sagrado e que ele não vai sair de casa nem que lhe paguem para isso. Daí você, como bom brasileiro, decide organizar um churrasquinho de última hora e o convida para ir à sua casa no domingo. E o que ele responde? Danke für die Einladung, aber ich brauche Zeit nur für mich alleine (Português: Obrigado pelo convite, mas eu preciso de um tempo só para mim)… Daí você pensa: Que cara metido! Prefere ficar sozinho a participar de uma festinha com a gente! O que, num primeiro momento, pode soar um tanto arrogante a ouvidos brasileiros, é realmente bem direto e sincero. Mas é altamente aceitável aqui na Alemanha recusar um convite explicando que você teve uma semana estressante e que precisa de um dia só entre você e você:)

2) Das ist mir zu viel (Português: Isso é demais para mim – tradução ao pé da letra) – outra frase que parece bem estranha para muitos brasileiros. Mas você pode usá-la na Alemanha sem medo de parecer arrogante! Significa que você conhece os seus limites e que, avaliando uma determinada situação, chegou à conclusão de que ela só te faria mal ou te sobrecarregaria…

3) Du musst lernen, dich abzugrenzen (Português: Você tem de aprender a “delimitar-se“ – tradução ao pé da letra). Socorro! Que frase mais esquisita e “fria” é essa?! Significa que você precisa aprender a se “distanciar” (de forma saudável e equilibrada) das pessoas que estão à sua volta (Com outras palavras: Você precisa aprender a impor limites). Daí você me diz: „Credo, Rode! Que coisa mais egoísta“! Realmente, ela soa meio estranho, mas quantas vezes tentamos salvar o mundo ao nosso redor, sem estarmos em condições de fazê-lo! Antes de mais nada, você precisa cuidar de si mesmo para poder cuidar dos outros.
Certa vez, uma alemã me ilustrou o que ela estava querendo dizer com o seguinte exemplo: Antes de um avião decolar, vêm as aeromoças/os comissários de bordo demonstrando todas as medidas de segurança a serem tomadas durante o voo. E eles sempre dizem: “Em caso de perda de pressão no avião, coloque primeiro a sua própria máscara, antes de ajudar as pessoas à sua volta”. Nunca mais me esqueci desse exemplo! Nós brasileiros precisamos aprender a reconhecer os nossos limites e a ter coragem de pronunciá-los perante nossos familiares e amigos! E, cuidando de nós mesmos em primeiro lugar, vamos ter força suficiente para cuidar das pessoas que amamos também. Todo mundo sai ganhando:)

Já contei aqui no blog um pouco sobre o meu relacionamento binacional. Meu esposo é alemão, e foi dele que ouvi essas frases um tanto “estranhas” pela primeira vez. Confesso que o choque foi grande no começo, mas hoje em dia eu compreendo totalmente essa necessidade que ele tem de “ter um tempo só para si” de vez em quando… Quanto à questão de cuidar de mim  primeiramente, posso dizer que estou num  processo de aprendizado ainda (rsrsrs). Por vezes sinto-me um tanto egoísta ao dizer “não” a pessoas que amo. Não me entendam mal, não estou pregando aqui que devemos pensar só em nós mesmos. Todos nós conhecemos o mandamento bíblico que diz Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Marcos 12: 31). E daí eu pergunto: Como podemos amar a outras pessoas se não amamos a nós mesmos ou, com outras palavras, não respeitamos os nossos próprios limites?  Aprendamos com os alemães nesse sentido!

Se vocês já ouviram as três frases que citei aqui no texto, contem-me qual foi a reação de vocês e como aprenderam/estão aprendendo a lidar com elas…

Abraços,
Rode


Einer der Kulturunterschiede zwischen Deutschen und Brasilianern besteht darin, dass man in Deutschland offen über seine Bedürfnisse nach Privatsphäre spricht. In diesem Text berichte ich über drei Sätze, die hierzulande ganz selbstverständlich sind, die Brasilianern aber sehr schroff und sogar arrogant vorkommen:

1) Ich brauche Zeit für mich alleine: Wenn man eine stressige Woche gehabt hat, freut man sich verständlicherweise auf ein ruhiges Wochenende. Bekommt man dann eine kurzfristige Einladung von einem Brasilianer, sollte man ihm gegenüber diesen Satz vermeiden. Schließlich kann das sehr arrogant klingen. Nun fragst du mich „Was soll man dann sagen?“ Sag lieber, dass du dir nicht sicher bist, ob du es schaffst, aber noch Bescheid geben wirst. Wer weiß, vielleicht bekommst du dann doch Lust. Für den Fall, dass du wirklich nicht hin willst, schreibst du eine kurze Nachricht, dass du es leider, leider nicht schaffen wirst… Damit haben Brasilianer weniger Probleme als mit der Antwort „Ich brauche Zeit für mich“. In Brasilien ist das Gemeinschaftsgefühl nämlich sehr stark ausgeprägt!

2) Das ist mir zu viel – Ein weiterer Satz, für den man in Brasilien wenig Verständnis hätte. Ich finde ihn mittlerweile sehr berechtigt und übe mich gerade darin, ihn wirklich auch zu sagen… Die Herausforderung dabei ist die, dass man einem Brasilianer gegenüber dieses Gefühl des „Ich fühle mich überfordert bzw. das wird mir wirklich zu viel“ so angenehm wie möglich erklärt. Klingt kompliziert, ich weiß:) Du solltest den aber nie einfach stehen lassen. Das ist das Geheimnis dabei!

3) Du musst lernen, dich abzugrenzen: Schon die Übersetzung dieses Satzes ins Portugiesische hat mir große Schwierigkeiten bereitet. Und warum? Weil er für uns Brasilianer ziemlich egoistisch klingt! Auch hier bin ich noch dabei zu lernen, für meine eigenen Bedürfnisse einzustehen. Deswegen kann ich euch nur raten: Seid geduldig, wenn ihr merkt, dass eurer brasilianischen Ehefrau/eurem brasilianischen Ehemann es so schwer fällt, sich zum Beispiel bei Problemen innerhalb der Familie (in der Heimat) abzugrenzen. Wir haben das nie gelernt! Man geht in Brasilien oft über seine Grenzen hinaus, um anderen zu helfen. Das Gegenteil muss noch gelernt werden.
P.S.: Ich meine aber nicht, dass einem dann alles egal ist. Vielmehr ist hier ein gesundes Maß zwischen Hingabe und Abgrenzen gemeint!

Ich habe hier auf dem Blog schon mal über meine binationale Beziehung/Ehe berichtet. Solche Sätze, wie die obigen drei, habe ich zum ersten Mal von meinem Mann gehört… Und ich war natürlich sehr irritiert zu hören, dass er „Zeit für sich“ braucht. Ich bin nämlich in einer Großfamilie aufgewachsen (wir sind vier Kinder!) und da bleibt wenig Zeit für sich alleine… Was das „Sich Abgrenzen“ angeht, befinde ich mich gerade auch noch im Lernprozess. Es ist oft nicht einfach, gegenüber Personen, die ich liebe, „nein“ zu sagen, aber auch das gehört zu einer gesunden Beziehung dazu… In dieser Hinsicht können wir Brasilianer eine Menge von euch Deutschen lernen!

Wart ihr schon mal in Brasilien oder seid ihr mit einem Brasilianer/einer Brasilianerin verheiratet? Ich würde mich sehr freuen, eure Berichte zu diesem Thema zu lesen!

Alles Liebe
Rode
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Veröffentlicht von Rode

Brasileira, residente na Alemanha, docente universitária, blogueira nas horas vagas e apaixonada por idiomas | Brasilianerin in Deutschland, Uni-Dozentin, Bloggerin und mit einer großen Leidenschaft für Sprachen

39 Kommentare

  1. Querida Rode,

    Obrigada por compartilhar este modo „novo“ de se relacionar para nós brasileiros, tão diferente do „tudo junto e misturado“, que se vive por aqui.
    Tenho aprendido muito sobre isso, e também sobre mim mesma, no meu relacionamento com meu namorado alemão. Confesso que por vezes „não é mole não“! rsrsrs
    Mas o resultado tem sido um modo de amar maduro, profundo, e bastante prazeroso.
    Beijos!
    Luciene

    • Oi, Luciene!
      Obrigada pelo seu lindo comentário:) Eh um prazer pra mim dividir um pouco das minhas experiências com meus leitores!
      Continuemos aprendendo!
      Beijos
      Rode

  2. Eu concordo com o pensamento deles, porque eles são sinceros. Às vezes nós não queremos ir a algum lugar ou aceitar um convite, mas preferimos arrumar uma desculpa pra não desagradar a pessoa que nos convidou. Estou aprendendo…..

    • Ser sincero é sempre melhor, mas nem sempre é fácil… rsrsrs. Eu tb continuo aprendendo:)

  3. Nossa! tenho vários amigos alemães aqui em Brasília e realmente eles dizem isso quando nós os chamamos para sair mesmo sabendo que a semana de trabalho foi extressante e que até eu deveria ficar em casa relaxando! ;)

    Obrigado por compartilhar esse relato! Bom fim de semana!

    • Tá aqui você que não me deixa mentir, Diego:) Li alguns comentários de gente dizendo que meu texto é puro mito, acredita? hehehe Abs.!

  4. Devo ser alienigena! Porque sou brasileira e sempre tenho atitudes parecidas com os que me cercam. Algumas pessoas têm o péssimo hábito de serem efusivas, sem se importar com a individualidade do outro. É bom saber que, na Alemanha, poderei ser sincera sem ser taxada de arrogante!

  5. Depois de 15 anos na Alemanha, essas frases sao comuns para mim mesma… e os brasileiros têm problemas para entenderem isso. :-(

  6. Muito legal o seu blog, melhor do que muitos do tipo que vi por aí.

    E deve dar um trabalhão escrever nas duas línguas, né? Haha

    Parabéns!

    • Obrigada, Felippe!
      Trabalho? Imagina, eu tenho uma varinha de condão – daí é só fazer „plim“ e tudo fica pronto… hehehe #sqn
      O trabalho é grande, mas tem valido a pena:)
      Abs.,
      Rode

  7. Para mim as frases estão perfeitas. Eu não sou de inventar desculpas. Aliás, prefiro a sinceridade quando sou eu a ouvir respostas.

  8. Hi Rode,
    Der Beitrag ist klasse nur würde ich deine letzte Aussage “ In dieser Hinsicht können wir Brasilianer eine Menge von euch Deutschen lernen!“ Eher andersrum sehen. Warum? Ganz einfach weil hier das Familienleben leider auf der Strecke geblieben ist. Ich liebe die Offenheit und das Zusammengehörigkeitsgefühl von euch Brasilianer legt das bloß nicht ab.
    Viele grüße Martin

    • Hallol Martin!
      Danke für deinen Kommentar! Ich würde sagen, beide Kulturen können eine Menge voneinander lernen:) Und das ist was Schönes!
      Viele Grüße
      Rode

  9. É da cultura brasileira ser „bonzinho“ com todos. „Tapinha“ nas costas pra fazer bonito aos olhos de terceiros.
    Isso tudo faz amarrotar nossa identidade. Sufocando nosso caráter.
    Tenho esperança que, um dia não muito distante, possamos ser autênticos.

    • Olá, Rolf!
      A gente tem muito a aprender ainda. Mas, como você mesmo diz, também tenho esperança de que ainda vamos chegar lá!
      Abs.,
      Rode

  10. Hallo Rode! Bist du in Curitiba oder in Deutschland? Sicher? kkk
    Oi Rode! Você está em Curitiba ou na Alemanha? Certeza? kkk

  11. Aprecio a mentalidade alemã e tambem sou assim em parte porque sou neto de alemão,a objetividade germanica é realista e não tem nada de arrogante.

  12. Ola! Rode! Eu tambem aprendi a pensar primeiro em mim aqui na Alemanha! E acho isto muito importante e bom! Tambem pensava muito nos outros em primeiro Lugar. Porem quando voce tem filhos e se voce nao pensar em voce, ninguem ira pensar e voce tem que ter saude ainda para cuidar da sua familia. Acho que os alemaes estao certíssimos!!!!

  13. Ola Rode! Es fällt mir ein….
    Depois de 14 anos vivendo aqui na Alemanha aprendi que se voce nao souber colocar limites as pessoas usam e abusam … Ha diferentes culturas e diferentes mentalidades vivendo juntas e nos precisamos aprender a nos Defender. Defender nossa saude, espaco, privacidade, etc. As criancas aprendem desde de Cedo a ser mais independente e aprendem a se colocar (durchsetzen) , Defender suas opinioes, a dizer nao. A ter Auto estima e Auto confianca. E preciso saber se Defender de pessoas que so querem sua energia mais nao querem fazer uma troca Boa. Bem posso dizer que aprendi muito neste tempo e evolui. Sou grata a esta cultura que neste aspecto tem muito a ensinar aos brasileiros.

    • A gente vai aprendendo com os alemães, né? Verdade, temos que respeitar os nossos próprios limites porque os outros não vão fazer isso por nós!

  14. Ola! Rode! Este tema e muito interessante porisso li novamente!😊 Acredito que os alemaes respeitam a posicao do outro quanto este 3 aspectos por que isto faz parte da sua cultura. Eu tive que aprender tudo isto para poder ensinar meu filho, pois as criancas aprendem sobre este tema desde o jardim da infancia!

  15. Acho que sempre fui alemã e não sabia. xD

    Mas realmente, se você fala que não quer sair porque precisa descansar e passar um tempo sozinha pra recarregar as energias, você é vista como metida e antipática. Aqui no Brasil é complicado ser introvertida, principalmente quando as pessoas levam tudo pro lado pessoal, inclusive o fato de você recusar um convite (a não ser que você tenha um motivo considerado válido, como estar doente ou ter que estudar ou trabalhar). Aliás, qualquer „não“ faz com que você seja mal-visto, o que é absurdamente chato pra quem é um capacho (como eu). rsrs Aprender a falar „não“ nem é tão difícil assim; o problema é ele ser aceito com graciosidade.

    Gosto bastante da simpatia brasileira, mas às vezes ela atrapalha e acaba sufocando a gente, porque nos sentimos como se tivéssemos a obrigação de agradar os outros o tempo todo. Bom, pelo menos é essa a minha impressão.

    Enfim, gosto muito do seu blog. Como sempre quis ir pra Alemanha, mas nunca tive a chance, amo aprender até mesmo essas pequenas coisas sobre o país e seu povo. Obrigada! ^_^

    • Olá, Rafaela!
      Bom saber que o blog te deixa um pouquinho mais perto da Alemanha:) Torço pra que você possa conhecê-la um dia!
      Quanto a ser sincero, acho que é importante achar o equilíbrio entre os dois extremos, mas realmente não é fácil! Sigamos aprendendo:)
      Abraços,
      Rode

  16. Bom dia Rode,

    Adoro seus textos para aprender um pouco da cultura e idioma germânicos. Cadavez mais me identifico no modo de agir e pensar, talvez por ter sido criada no Sul do Brasil, entre imigrantes. Não tenha medo de parecer egoista ou arrogante, são apenas pensamentos racionais que não deveriam ser confrontados. Cada vez mais admiro os alemães, uma pena não termos sido colonizados por eles para termos o alemão como língua nativa kkk

    • Que bom que você gostou do texto, Maria José:)
      Realmente seria bem prático nascer falando alemão… hehehe
      Abraços!

  17. Gostei muito da maneira como vc colocou essa questão !!! Com equilíbrio, sensibilidade e verdade, parabéns!

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