Os desafios na vida de um expatriado | Das Leben im Ausland und die damit verbundenen Herausforderungen


Na minha família, hoje é um dia especial, pois comemoramos o aniversário da minha sobrinha, a Elisa. Hoje ela está completando 5 aninhos de muita vida, de muitas risadas e brincadeiras e de muito charme! Ela, que em todos os sentidos se parece mais comigo do que com a minha irmã, hoje me faz chorar de saudade. Sim, hoje eu daria tudo para estar no Brasil pertinho dela! Adoraria brincar de Polly (a boneca preferida dela), de assistir ao filme da Frozen e cantar “Livre estou”, de escutá-la dizendo que vai me visitar na “Lemanha” e de ver os olhinhos dela brilhando enquanto cantamos “Parabéns pra você” e agradecemos a Deus por tê-la nos dado… E esta data me levou a pensar na minha vida de expatriada e no preço que se paga quando se vive no exterior…

Se, por um lado, temos a chance de conhecer novas culturas, aprender outros idiomas e vivenciar coisas incríveis conhecendo o mundo “lá fora”, por outro lado temos que aprender a lidar com a saudade e o fato de estarmos ausentes… Sim, estamos ausentes nos encontros de família, no casamento dos primos queridos, nos últimos dias de vida dos nossos avós (ou talvez dos pais), no nascimento dos sobrinhos, no Dia das Mães e também no Dia dos Pais… Isso sem falar do Natal e do Ano Novo e dos inúmeros aniversários de pessoas queridas e muito especiais para nós, como é o meu caso hoje com a minha sobrinha.

Mas aí você pode me dizer: “Rode, hoje em dia tem a tecnologia que facilita muito a nossa vida: Facebook, WhatsApp, Facetime, Skype…”. Sim, eu concordo e sou muito grata por poder amenizar a saudade através de toda essa tecnologia que temos à nossa disposição. Mas ela não substitui o abraço apertado nem o beijo molhado na bochecha e nem o passeio de mãos dadas pelo parque (ou pelo shopping!), muito menos aquelas boas risadas numa roda de amigos nem o churrasco de domingo com a família nem poder dormir abraçadinha com a sua sobrinha…

Não me entenda mal, não estou reclamando, de jeito algum! Eu não escolhi vir morar na Alemanha (na época, ainda era menor de idade e não tive escolha), mas escolhi, sim, depois de adulta, ficar por aqui (e quer motivo maior do que o meu marido, que é alemão?!) e construir o meu futuro longe do Brasil. Sei que a situação no nosso país, infelizmente, está cada vez mais difícil e que muitos estão sonhando ou planejando de vir morar na Alemanha. Se é isso mesmo o que você quer, te desejo muita sorte e êxito, mas esteja consciente de que o preço que se paga morando longe da sua terra e, principalmente, da sua família e de amigos de longas datas é alto, muito alto! Não se iluda achando que uma ótima qualidade de vida, um bom emprego e a realização  dos seus sonhos te preencherão completamente. A vida exige de nós que façamos escolhas constantemente e essas escolhas trazem consequências consigo. Uma das consequências com a qual tenho que lidar hoje é o fato de estar longe de uma das pessoinhas mais importantes para mim nesse mundo, um pinguinho de gente, que carinhosamente chamamos de “Lili”.

Ser um expatriado é estar sempre dividido entre a nova vida – com todas as experiências, derrotas e conquistas –  e a saudade de “casa” – que representa o já conhecido, os hábitos e o conforto de conhecer as regras, a mentalidade, a cultura de onde se vive. Não se iluda – você vai ter que se decidir entre um ou outro…

E vocês, expatriados e leitores do blog? Como lidam com esses dois lados da moeda? Contem-me!

Abraços – e Feliz Aniversário para a Lili :)
Rode


Heute ist ein wichtiger Tag in meiner Familie, denn meine süße Nichte Elisa hat Geburtstag! Seit 5 Jahren macht sie unser Leben schöner, fröhlicher und voller Glitzer! Und heute würde ich alles dafür geben, bei ihr in Brasilien zu sein, mit ihr den Film „Die Eiskönigin – Völlig unverfroren“ zu gucken und ihr persönlich „Happy Birthday“ zu singen…

Dieser Tag hat mich dazu bewogen, über mein Leben als Auswanderin nachdenken sowie über den hohen Preis, den man dabei bezahlt. Auf der einen Seite bekommt man die Chance, die Welt zu entdecken, neue Kulturen kennenzulernen und andere Sprachen zu beherrschen. Doch auf der anderen Seite muss man damit umgehen, weit weg von Familie und Freunden zu sein. Man ist derjenige, der bei Geburtstagen, Hochzeiten, Weihnachten, Neujahr, Muttertag usw. fehlt. Man ist derjenige, der alles nur durch Erzählungen erleben kann/darf…

Und da kann man natürlich damit argumentieren: “Aber, Rode, heutzutage ist durch Facebook, WhatsApp, Facetime und Skype alles einfacher geworden“. Ja, da stimme ich völlig zu, und ich bin für diese Möglichkeiten dankbar, aber: Das Internet und der Kontakt, den die Technologie uns ermöglicht, ersetzt weder die persönliche Umarmung noch die Küsschen auf der Wange, noch viel weniger den gemeinsamen Spaziergang Hand in Hand durch einen Park. Und das gilt auch für den Spaß mit Freunden an einem Freitag Abend oder das gemeinsame Mittagessen an einem Sonntag mit der ganzen Familie…

Versteht mich bitte nicht falsch – ich will nicht meckern! Ich habe zwar nicht ausgesucht, nach Deutschland zu kommen (diese Entscheidung trafen damals meine Eltern, und als Minderjährige hatte ich keine andere Wahl), aber ich habe mich wohl für ein Leben in Deutschland entschieden (und mein (deutscher) Ehemann ist natürlich der Hauptgrund dafür!)… Das Leben in Brasilien ist aufgrund von Gewalt, Korruption und einem sehr teuren Lebensunterhalt in den letzten Jahren schwieriger geworden. Und das führt dazu, dass einige Brasilianer darüber nachdenken, ihr Land zu verlassen. Doch, was vielen nicht bewusst ist, ist die Tatsache, dass diese Entscheidung viele Konsequenzen mit sich bringt. In Deutschland zu leben, bedeutet für mich am heutigen Tag, auch von einem der für mich wichtigsten Menschen weit weg zu sein, nämlich meiner Nichte, die wir liebevoll „Lili“ nennen.

Als Auswanderer zu leben, bedeutet immer, zwiegespalten zu sein: Man hat auf der einen Seite sein neues Leben – voller Herausforderungen, Niederlagen, aber auch Erfolge – und auf der anderen die Sehnsucht nach seiner Familie sowie nach dem Gewohnten. Man kann nicht beides haben und muss es akzeptieren…

Habt ihr auch Erfahrungen als Auswanderer gemacht? Ich freue mich auf eure Berichte!

Alles Liebe – und meiner Nichte sage ich „Happy Birthday, Prinzessin!!!!“
Rode

Veröffentlicht von Rode

Brasileira, residente na Alemanha, docente universitária e blogueira apaixonada por idiomas e viagens | Brasilianerin in Deutschland, Uni-Dozentin und Bloggerin mit einer großen Leidenschaft für Sprachen und Reisen

23 Kommentare

  1. Oi Rode!
    Poxa, você conseguiu escrever o que eu estou começando a sentir. Ainda sou muito jovem, mas sinto muito medo de visitar o Brasil e não ter mais meus amigos do meu lado ou ser meio esquecido pelos meus familiares. Morar fora é uma loucura, nunca vivi algo assim antes. A vida é uma balança onde você tem que pesar suas decisões e eu pesei as minhas, mas continuo dividido! Acredito que você saiba como é.
    É verdade que com o tempo as coisas melhoram? Pergunto isso porque ainda nem completei um ano aqui. Abraços e parabéns pelo blog. Te admiro muito!

    • Obrigada, Raphael! Eu acho que a saudade nunca diminui, a gente é que aprende a lidar melhor com ela… Tem dias em que é mais fácil ou às vezes mais difícil… O importante é ter certeza de estar trilhando o caminho certo! Abs.!

    • A dor da saudade e a coisa mais dificil de lidar. Vc definiu tao bem o q sinto. Tb tenho uma sobrinha e tb doi a saudade dela. De tudo q passamos qdo nos mudamos e ficamos longe da familia, a saudade e sem duvida o pior e o mais dificil de lidar. Ficamos p sempre divididos em 2.

  2. Olá Rode!

    Gostei muito de seu texto. Não sei exatamente desde quando você está aqui, mas certamente mais do eu, que só há um ano e meio cá estou. Parece pouco, mas já perdi tanta data que não consigo nem mais contar.

    Ainda tenho esperança de na velhice fazer algo como um amigo alemão radicado no Brasil. 3 meses em Nürnberg e 3 meses no Rio. Estou me agarrando nessa possibilidade.

    E mesmo antes disso, já deixei uma decisão muito clara em casa. Se houver alguma coisa mais forte na família, faço período sabático e vou ficar com os meus, fique como for depois :(

    • Olá, André!
      Eu já estou aqui há 15 anos (quase metade da minha vida!), mas ainda estou aprendendo a lidar com a saudade… 3 meses lá e 3 meses cá seria um sonho:) E acho muito bacana a sua disposição de cuidar da sua família! Desejo a você tudo de bom aqui e lá!
      Rode

  3. Olá Rode,

    Encontrei seu blog no face,através de uma pessoa que vive na Alemanha e que está na minha lista de amigos.Não a conheço ainda pessoalmente,entretanto.

    Identifiquei-me MUITO com seu post. Vivo na Holanda(Amsterdam) há 21 anos,e no início foi muito…muito difícil.

    Porém hoje sinto-me em casa neste país que escolhemos como nosso lar (meu marido é brasileiro…portanto não vim para a Holanda para viver um amor…o que tornava minha adaptação mais difícil ainda).

    Paga- se um preço alto qdo decidimos viver longe do país em que crescemos. Mas existe a recompensa?.

    Se vierem passear em Amsterdam,venham nos conhecer?!!!Somos vizinhos,afinal.

    Um abraço!!

    • Olá, Sheila!
      Seja bem-vinda ao blog! E que bom que você se identificou com o texto:) Acho que nós expatriados passamos todos por situações semelhantes, né? Eu adoro Amsterdam e espero ir de novo em breve! Abraços e obrigada pelo convite:)
      Rode

  4. Aaaaah Rode…

    Hoje você me fez chorar… Parecia descrever minha Ana Clara, minha sobrinha, também com 5 aninhos…

    Moro aqui há quase 4 anos e apesar do primeiro ano ter sido bastante difícil (quntas vezes quis fazer as malas e regressar ao brasil?), posso dizer que hoje sou feliz aqui e sao poucas (poucas mesmo!) as coisas que me fazem falta.

    Dia destes estava triste e sabe o que eu queria? Colo de mae! Isso é algo que machuca e nao te-la por perto é algo que jamais irei me acostumar… É o tal „preco“ que se paga neh?!

    Um beijo no coracao,

    Fran

    • Querida Franceane,
      Acabei fazendo muita gente chorar com esse artigo:) Mas eu tb chorei (rsrrs)! Colo de mãe é tudo de bom e espero que nós duas possamos em breve ganhar colinho delas:) Beijos pra vc tb!!!
      Rode

  5. Oi, adorei o texto. É difícil mesmo ficar longe das pessoas queridas, perder casamentos, perder momentos difíceis, perder funerais e simplesmente ter que reconstruir tudo do zero. Mas, ao mesmo tempo, viver aqui é a escolha certa para mim e para o momento. Toda escolha tem preço, não?

  6. Rode, seu post foi muito verdadeiro. Faz 7 anos que não estou no Brasil mas todo Natal e Ano Novo é um sofoco pra mim, principalmente porque meu aniversário é próximo a essas datas. Confesso que não vejo nem graça de comemorar. E você tem razão, todas as coisas boas do exterior ajudam mas não serão capaz de completar a lacuna de saudade que a gente sente por causa da família.

    Beijos!

    • Pois é, Gisley… Não é fácil mesmo, mas a gente vai levando a saudade como pode, né? Tudo de bom! Beijos

  7. Prezada Rode
    Fui lendo seu excelente texto e a saudade chegando e doendo… Ao contrário de você, vivo no Brasil, mas minha filha tão querida mora na Alemanha. Quando ela se sente triste, me sinto impotente, pois não dá para pegar um avião imediatamente… Sei que ela é feliz, tem amigos queridos, profissão, reconhecimento de seu trabalho, tem um amor alemão, mas está longe… Adoro o que você escreve, é uma deliciosa maneira de me sentir bem pertinho dela. Obrigada e continue escrevendo… sempre…

    • Obrigada por sua mensagem e encorajamento, Dilma! Que bom que meus textos te deixam mais perto da sua filha:) Abs.!

  8. Sábias palavras!

    Realmente temos que pesar bem na balança as duas interfaces que passaremos no novo desafio de morar distante dos nossos!
    Vim para a Alemanha com esposo e filho, numa proposta de três anos. De inicio pensei três anos passa rápido… ainda estamos no quarto mês e o coração já aperta, e vejo meu Lucas de seis anos enfrentando o que a gente com tempo maior de vida pensávamos estar preparados, ledo engano!
    Sinto falta de coisas que não dávamos o devido valor e nem percebíamos o quanto elas eram importantes e nos faziam tão bem! Como um simples olhar, um sorriso, e sem falar de um abraço…

    Bjs apimentados de uma bahiana que te admira virtualmente!

    • Querida Vera,
      Obrigada por suas palavras e por me acompanhar por aqui!
      Muita força e leveza nos seus dias! O começo é difícil, mas vale a pena!
      Beijos
      Rode

  9. Olá Rode!!

    Assim eu vou morrer desidratada de tanto chorar kk.
    Lindo demais seu texto. Nossa!!!
    Exatamente como me sinto em relação a minha família. Tenho 2 sobrinhas que sempre foram minhas princesas. Passo por esse dilema de aniversário duas vezes no ano. E agora acompanho tudo pela internet, as vejo crescer pela internet. Ah, e como dói as vezes.
    E não é só isso. É a falta que minha mãe me faz, e o meu pai que sempre me buscava no ponto do onibus depois do trabalho, o desejo de às vezes poder bater um papo com minhas irmãs, o cafezinho gostoso do meu cunhado.
    E tem também o desejo de ter um natal em família, aqui ou no Brasil. E mesmo querendo muito, tenho consciência de como é complicado organizar e realizar isso. Enfim, são tantas coisas.
    Meu primeiro natal aqui meu tio faleceu e não pude me despedir. Isso doeu, de verdade. É um batalhão de sentimentos, tudo muito louco.
    Mas ao mesmo tempo tenho meu marido aqui (o amor da minha vida) e essa é a porção de felicidade que tenho. Uma grande porção, tenho que dizer.
    Estou aqui desde novembro de 2013 e agora começo a entender o significado da palavra saudade. As fotos de aniversário que recebo, as notícias da minha família, a vontade de está perto das minhas sobrinhas, isso tudo pra mim é saudade.
    Mas essa escolha, foi eu que fiz, escolhi viver aqui.
    Amo minha vida aqui, amo (mil vezes amo) meu marido. E o que faço pra passar por isso….aproveito cada minuto que tenho com minha família…
    Esse é o remédio…
    Infelizmente ainda não achei outro.

    Obrigado pelo maravilhoso texto e por sua companhia todo esse tempo.
    Admiro você demais e toda jeito que você tem pra nós tocar com suas palavras.

    Bjs e um maravilhoso dia pra nos todos.

    • Querida Karla,
      Obrigada por suas lindas palavras! Fico feliz em saber que meu texto reflete o que muitos leitores passam também. Pagamos um preço muito alto por estarmos longe, mas a vida é assim mesmo, né? Infelizmente temos que fazer nossas escolhas… Vamos focar no próximo encontro com nossos familiares e amigos queridos. Isso ajuda muito!
      Beijos pra você!
      Rode

  10. Falou tudo Rode. Texto maravilhoso, só entende quem mora longe da família. Moro no Brasil faz 2 anos e meio e ainda não conheço meu sobrinho que tá lá na Suíça, só pelo internet e como você escreveu, não é a mesma coisa.
    Como se diz em alemão „wir sitzen alle im selben Boot“….é bom ler que tem tantas pessoas que passam pela mesma coisa e que não só sou eu que tenho dificuldades com a saudade… Natal achei o pior…Natal longe da família deve ser proibido, né?
    Obrigada mais uma vez pelo seu blog!
    um abraço

    • Querida Rebekka, te entendo perfeitamente!
      Desejo a você que possa conhecer seu sobrinho logo!
      Obrigada por me acompanhar por aqui! Beijos

  11. Olá, bonito texto. Admiro muito quem aguenta firme, pois eu não aguentei e voltei. A qualidade de vida não me preenchia mais… Talvez um dia eu volte, não sei, seria um sonho poder viver 6 meses em cada país… mas enquanto não é possível, só de férias já está bom. ;)

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