A estressante hospitalidade brasileira | Brasilianische Gastfreundschaft

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“Amor, no sábado à noite a gente vai receber visita, tá? A Marcinha e o Peter vêm jantar aqui em casa. Mas, não precisa se preocupar… Vou fazer algo bem prático e rápido, não vai dar trabalho nenhum”…

Quem de nós nunca começou uma conversa assim com o maridão, que atire a primeira pedra:) Faz parte da nossa cultura ser hospitaleira/o e convidar os amigos para um “jantarzinho”. Daí a gente resolve não só fazer algo prático e simples, mas decide por preparar algo mais requintado e trabalhoso mesmo, afinal queremos agradar (ou seria impressionar?!) os convidados… É claro que também não pode faltar uma sobremesa. Daí a gente pensa “Bom, já que estou com a mão na massa, posso fazer uma musse de maracujá também, além do pudim, claro”!

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Antes de ir para a beira do fogão para fazer a “gororoba” que, aliás, sempre dá mais trabalho do que havíamos planejado, a gente vê que o banheiro está precisando ser lavado e que as janelas da copa, onde será servido o jantar, estão precisando de um “pequeno” trato. Ah, e que tal comprar umas flores para deixar a mesa mais bonita?

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Daí a anfitriã, que só queria fazer “algo pequeno” para receber um casal de amigos, acaba dando aquela faxina na casa toda… Alguém se identifica???

Sempre gostei de receber amigos aqui em casa e nunca medi esforços para que tudo saísse bem gostoso e agradável. Até aí, tudo bem! O problema é que muitas de nós, brasileiras, temos um padrão um tanto alto (para não dizer exagerado) na hora de brincarmos de anfitriã. Por inúmeras vezes, acabei tendo discussões bobas com o maridão (ele é alemão) justamente por causa desse assunto: Eu afirmo que vai ser apenas um pequeno jantar, acabo aumentando as minhas próprias exigências (afinal, tudo tem que sair perfeito) e, no final, acabo vendo que não vou dar conta do recado, e começo a fazer aquela pressãozinha básica para ele me ajudar, afinal os convidados já estão para chegar a qualquer momento! Não que o maridão não me ajude, não é isso. O problema para ele é o alto nível de “hospitalidade” (ou seria perfeição?!) que eu acho que tenho que alcançar. Eu diria que tudo acontece de forma meio inconsciente mesmo, justamente pelo fato de me espelhar em ideais difíceis de serem alcançados…

Tenho muitas amigas alemãs, sendo uma delas uma amigona que infelizmente sempre morou longe de mim – em Berlim, Viena… No início, eu estranhei um pouco o fato de chegar na casa dela e não ver a cama arrumada para me receber. E eu pensava “Mas nossa, a C. poderia ter deixado tudo prontinho, né? Afinal, ela sabia que eu estava para chegar e já está tarde”… Olha a exigência inconsciente aí! Mas sabe de uma coisa? Essa minha amiga C. sempre trabalhou muito, mas sempre foi me buscar no aeroporto/na estação de trem (às vezes, tarde da noite) com um sorriso estampado no rosto e superbem humorada, inclusive nas fases de muito estresse no trabalho. Sempre me deu a sensação de ser muito bem-vinda, mesmo que a minha cama ainda não estivesse arrumada (com as toalhas dobradinhas em cima dela e, de preferência, com um bombom junto, né? rsrs – olha a exigência exagerada aí de novo!)…

Nós brasileiros temos a santa mania de mostrar a casa toda para as visitas. Bobeira a nossa, né? Pra quê??? Só para se estressar querendo deixar tudo arrumado e nos “trinques”? Hoje em dia, aprendi que cada um pode definir “hospitalidade” como quiser. Se eu estou com mais tempo, faço questão de arrumar o quarto/a cama para receber minhas visitas antes delas chegarem. Se estou mais atarefada com o trabalho, tento sempre lembrar a mim mesma do fato de que minha hospitalidade e minha demonstração de carinho vão muito mais além de estar com tudo pronto, limpo e arrumado! Confesso que de vez em quando ainda caio nessa armadilha, mas tenho melhorado bastante:) O maridão agradece!

E vocês, já passaram por algo semelhante? O que significa hospitalidade para vocês? Contem-me!

Abraços,
Rode


Wir Brasilianer sind weltweit für unsere Gastfreundschaft bekannt. Gern nehmen wir Menschen bei uns auf und machen alles (wirklich alles) dafür, dass unser Gast sich bei uns wohl fühlt…

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Diese herzhaften Pancakes machen wir in Brasilien sehr gern. Sie sind köstlich, doch leider auch sehr aufwendig zuzubereiten, u.a. weil das Hähnchenfleisch für die Füllung sehr, sehr klein gemacht werden muss. Das Ergebnis? Man ist stundenlang dabei, das Fleisch auseinanderzurupfen…:/

Eigentlich eine schöne Sache, wäre da nicht der oft (viel zu) hohe Anspruch, den wir  dabei an uns (v.a. die Frauen) stellen. Alles muss perfekt sein: Die Wohnung, blitzblank und aufgeräumt; die Blumen, frisch gekauft; und das Essen, natürlich köstlich und aufwendig gekocht!

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Und was passiert? Wir machen uns so einen Stress, diese Perfektion zu erreichen, dass wir sogar vergessen, dass es eigentlich darum geht, eine schöne Zeit miteinander zu verbringen.

Ich gebe zu, ich habe mich schon oft dabei ertappt, alles perfekt machen zu wollen. Und woher diese Vorstellung kommt? Ich weiß es auch nicht… Aber auf jeden Fall handelt es sich um ein Ideal, das man nur schwer (oder gar nicht!) erreichen kann.

Solltest du mal bei Brasilianern über Nacht bleiben, kannst du dich darauf verlassen, dass dein Bett fertig gemacht sein wird, wenn du ankommst. Deine Handtücher werden (perfekt) gefaltet darauf liegen, und wahrscheinlich wird eine kleine Praline dabei noch zu finden sein… Als wärst du in einem schicken Hotelzimmer.  Ist das etwas Schlechtes? Nein, im Gegenteil! Wenn ich die Zeit habe, mache ich das auch alles gern. Problematisch ist aber die Tatsache, dass viele Brasilianerinnen das Gefühl haben, sie wären weniger gastfreundlich, falls nicht alles perfekt ist, wenn der Gast ankommt…

Ich glaube, ein gut gelaunter Gastgeber, der nicht vor lauter Putzen, Kochen, Machen und Tun, völlig erschöpft und k.o. ist, ist wichtiger als ein „perfektes Dinner“! Und ich versuche mich immer wieder daran zu erinnern, schließlich habe ich mir schon oft genug den Stress gemacht. Und darauf kann ich definitiv verzichten!!!

Habt ihr mit Brasilianern zu tun und schon Erfahrungen in dieser Hinsicht gemacht? Wenn ja, freue ich mich auf eure Berichte!

Alles Liebe
Rode
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Veröffentlicht von Rode

Brasileira, residente na Alemanha, docente universitária e blogueira apaixonada por idiomas e viagens | Brasilianerin in Deutschland, Uni-Dozentin und Bloggerin mit einer großen Leidenschaft für Sprachen und Reisen

6 Kommentare

  1. Ja fui assim tambem, mas tenho aprendido a nao exigir muito de mim mesma.
    Tento deixar tudo arrumado e limpo, mas se nao da, nao me culpo.
    No que meu marido pode ajudar ele faz, gracas a Deus!
    Acho que ele sabe que „ser exigente“ eh uma caracteristica cultural.
    Morando aqui estou conseguindo deixar de ser tao perfeccionista.

  2. Oi Rode, adorei o post. Ainda tenho a hospitalidade brasileira. Meu marido (alemão) sempre acha um exagero. Ontem mesmo minha sogra veio tomar um café em casa, e para os Alemães, tomar um café significa um café e um bolo né. Mas é claro, que eu fiz dois tipos de doce, dois tipos de salgado. Ai minha sogra sempre fala, que eu fiz muita coisa, que não deveria ter tido o trabalho, que parece uma festa. Pois é, quem sabe um dia eu melhore. Bjo.

    • Que bom que você gostou, Daniela! Esse café na sua casa ontem parece que estava muito bom, hein?! :) Somos umas exageradas mesmo! hehehe
      beijos!

  3. Aiiii… também sou assim! Mas se for só com amigos que ja nos conhecem há bastante tempo, nem ligo. Mas quando a sogra vem prum cafezinho…. a casa tem que estar beeeem arrumada e limpinha, ate pq se nao tiver ela reclama coma gente, dizendo que somos bagunceiros e blablabla… Ou se algun amigo vem pela primeira vez, arrumo tudo também!

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