Vida na Alemanha: A dor de cada despedida | Der Schmerz des Abschieds

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Enquanto escrevo este texto, meu marido está a caminho do aeroporto com a minha mãe e meu irmão caçula. Por motivos de saúde (peguei uma virose bem chatinha), tive que ficar de molho em casa, e resolvi vir “falar” com vocês…

No dia 13 de dezembro, encontrei uma passagem de apenas 544 Euros (ida e volta) do Brasil para cá. E, depois de consultar a família e fazermos uma „vaquinha“, eu não perdi tempo e comprei a passagem aérea para a minha mãe vir nos visitar. Dois dias mais tarde ela já estava aqui com a gente! E ficou até hoje, dia 10 de janeiro. Confesso que as lágrimas rolam pelo meu rosto enquanto escrevo. Por um lado, porque sou uma pessoa muito emotiva mesmo (meu marido e meus irmãos que o digam… rsrs); por outro, porque se despedir de alguém que amamos é sempre doloroso, né? Já moro há 15 anos aqui na Alemanha, mas viver longe dos meus pais tem sido algo bastante novo para mim, pois eles também moravam aqui até há pouco tempo atrás, ou seja, só estou passando por essa situação de ficar longe de pai e mãe agora… E vou contar uma coisa para vocês: Como isso é doloroso!

Morar fora de seu país de origem é bem difícil, principalmente no início: Você tem de aprender o idioma (e convenhamos que aprender alemão foi trabalho duro!), se adaptar à nova cultura, acostumar seu paladar aos novos sabores e temperos da nova terrinha, fazer novas amizades (o que demora um pouco – aliás, em qualquer lugar!)… Enfim, são tantas mudanças! Mas o que considero o mais difícil é ficar longe da minha família – do meu pai, da minha mãe, da minha irmã, dos meus sobrinhos…  Tem dias em  que a saudade é tão grande que o coração só faz doer. Em outros, ele está mais calmo, conformado com a distância, meio que anestesiado, sabe? Hoje, dia de despedida, ele está chorando, e eu digo a ele bem baixinho “Acalme-se” , e trago à memória todos os momentos especiais que pude viver ao lado da minha mãezinha nas últimas semanas:

Passeios pelos lindos parques de Düsseldorf, do jeitinho que ela gosta:

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Muita comida brasileira – salgadinhos, arroz, feijão, angu, quiabo… (Não vamos falar dos quilinhos a mais que ganhei… rsrsrs):

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Muitas risadas do meu marido com a “sogrona” e jogadas de UNO, o jogo preferido dela:)

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Comprinhas e café com bolo no centro da cidade:

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Colinho e sopinha de legumes quando fiquei doente…

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Foi tanta coisa boa que só tenho a agradecer a Deus! O problema é que eu fiquei muito mal acostumada de novo, porque ela me mimou de um jeito que só mãe sabe fazer, né? Colo de mãe é, definitivamente, uma das coisas mais especiais do mundo! Se você, como eu, mora aqui na Alemanha, longe da sua mãe (ou do seu pai), quero te motivar a começar a juntar $$$ para a próxima viagem (seja dela/dele para cá ou sua ao Brasil), a começar a sonhar, a contar os dias para abraçá-la/lo. Em alemão tem uma palavra lindíssima – “die Vorfreude” – que descreve a alegria por esperar uma alegria que está chegando. Nada melhor do que uma viagem marcada para  alegrar o coração e já ir amenizando a saudade!

O abraço que dei na minha mãezinha hoje foi bem apertado e o cheirinho dela vai ficar gravado na minha memória até o nosso próximo encontro:)

Desculpem o artigo “chorão” de hoje, mas foi a forma que encontrei de amenizar a dor da despedida…

E vocês, como lidam com a dor da saudade da família? Se tiverem alguma dica de como fazer amenizá-la, compartilhe-a aqui com a gente:)

Um abraço,
Rode


Ich lebe in Deutschland. Und das seit 15 Jahren. Doch erst seit Kurzem erlebe ich, was es bedeutet, weit weg von meinen Eltern zu leben. Und das ist hart, sehr hart. Es gibt Tage, da tut das Herz so weh, dass man sich fragt, wie man damit leben soll; an anderen ist das Herz ruhiger, fast wie betäubt, weil es weiß, leiden hilft nicht…

Heute ist einer von den harten Tagen, einer,  an dem ich meine Mutter vorerst ein letztes Mal in den Arm nehmen konnte. Bis das nächste Wiedersehen kommt. Und bei über 10.000 Kilometern Entfernung dauert es schon mal länger. Das ist das Gemeine an einem Leben zwischen zwei Kulturen bzw. Ländern: Man lebt weit weg von vielen Menschen, die man liebt und gern bei sich in der Nähe hätte…

Die letzten Wochen mit meiner Mutter hier bei mir waren sehr intensiv, brasilianisch lecker, lustig, voller Ausflüge und Spaziergänge in schönen Parks – so wie sie es liebt.  Nun sitzt sie wieder im Flieger nach Brasilien. Geblieben sind viele schöne Erinnerungen und der Wunsch, sie bald wieder in den Arm schließen zu dürfen… Heute und in den nächsten Tagen heißt es für mich, mich wieder an ihre Abwesenheit zu gewöhnen. Keine einfache Sache. Aber ich werde es schaffen – genauso wie in den letzten Malen…

Bis bald,
Eure Rode
———————
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Veröffentlicht von Rode

Brasileira, residente na Alemanha, docente universitária e blogueira apaixonada por idiomas e viagens | Brasilianerin in Deutschland, Uni-Dozentin und Bloggerin mit einer großen Leidenschaft für Sprachen und Reisen

20 Kommentare

  1. Texto cativante, que nos emociona em cada linha. Rode, desejo que seus dias sejam leves e que sua espera seja breve! Beijo grande!

  2. Olá Rode,

    Que gracinha vc!

    É difícil mesmo lidar com a saudade qdo vivemos em uma família binacional…viva a tecnologia para encurtar essa saudade, não é mesmo?

    Olha só, te faço um convite:
    Caso goste do Elvis Presley, venha ver um vídeo que fiz em uma homenagem a ele em meu blog…é muito simples, praticamente meu primeiro vídeo..,

    http://www.sweet-oldfashioned-girl.blogspot.de

    Força menina!

    Lg aus Allgau,
    Mari

    • Obrigada pelo carinho, Marianna! Eu estou aprendendo a lidar com a saudade a cada dia, sabe? Tem dia que é mais fácil, em outros é mais difícil… rsrs. Parabéns pelo seu blog e pelo vídeo tb! Tudo feito com muito capricho! Beijos

  3. Oi Rode, a Saudade é o amor que fica, mas que dói, dói pra valer. Você está agindo certíssimo, curtindo os bons momentos e te aconselho a planejar o próximo encontro, pois isso acalma o coração. Sempre tive problemas com despedidas , desde criança. Por que a gente não pode ter todo mundo querido pertinho o tempo todo?
    Ainda bem que a tecnologia moderna nos ajuda a diminuir a distancia um pouco não é mesmo?
    Curta então o cheirinho da sua mãe e durma bem. Amanhã será um novo dia. Beijos no seu coração.

    • Obrigada pelo carinho, Iramaia! Eu adoraria ter todo mundo pertinho de mim! Mas como isso não é possível, a gente vai aprendendo a lidar com a saudade! Beijos

  4. É assim mesmo.
    Quando chega novembro começo a contar os dias pra viajar para o Brasil.
    Dá pra matar a saudade, mas sempre fica um gostinho de quero mais.
    Agora minha Mãe não pode fazer viagens de longa distância de avião, consequências de uma trombose arterial, então faço as malas e embarco com meu marido e filho.
    Enquanto Benjamin não está na Escola dá pra ficar mais tempo por aqui, mas no próximo ano os períodos de passeio terão que ser alterados.
    Quando estou em terras germânicas mato a saudade pelo Skype, Facebook, telefone e tenho a visita da minha irmã mais velha e meu cunhado uma vez por ano.
    Às vezes também aparece algum conterrâneo e assim o tempo vai passando até que tudo recomece…

  5. Só quem mora longe é que sabe como é difícil a hora da despedida… do abracar forte e dizer… ’se cuida!‘ … ‚a gente se vê ….!“

    Mas, só quem mora longe é que conhece esse sentimento do reencontro…. do abracar forte…. e dizer … „que bom te ver de novo!“ ….“que bom estar aqui!“…. „que bom ouvir isso!“… „que gostoso é isso!“

    Mas, como voce mesmo disse… o coracao se acostuma, fica anestesiado….

    E como Ivo Mozart disse: „Se saudades matasse, eu nao estaria mais aqui.“

    E viva a vida!

    Beijos

  6. Oi Rode!
    Nossa, ontem eu tinha chegado do Rio depois de ficar duas semanas (Weihnachtsferien) lá com minha mãe e família. E sim, te entendo perfeitamente.
    Confesso que morro de saudades do Rio e rolaram altas lágrimas no vôo ao som de „Sábado em Copacabana“, da Maria Bethânia.
    Sou filho único e minha mãe também sofre com a distância e saudade.
    Mas posso te falar uma coisa: nós dois e todos aqueles que moram fora ou longe da família somos pessoas muito corajosas e guerreiras. Minha tia sempre me diz isso quando converso com ela. Ainda bem que temos Internet, mas mesmo assim somos „forçados“ a amadurecer com o tempo.
    Fica triste não, você já superou tanta coisa que você supera essa dor também ;)
    Qualquer coisa, os brasileiros que moram na Alemanha estão aí para te e me ajudar :)
    Abraços e pensamento positivo. Ficar triste não ajuda em nada ;)

  7. Ola! Nao sou de comentar posts mas o seu veio com uma pitada grande de emocao e uma identificacao com algo que estou prestes a viver! Espero que eu encontre mecanismos para amenizar essa saudade que sei que vai caminhar comigo!! Boa sorte pra voce nessa jornada!

    • Olá, Lidi!
      Sempre fico feliz em ler que meus leitores se identificaram com algo que escrevi:)
      Tudo de bom pra você tb e muita força!
      Rode

  8. Amanhã estou me despedindo da minha irmã, ela veio me visitar e esta voltando amanhã. Despedida dói muito, breve estaremos juntos… Seu texto frisa muito a dor do emigrante. Abraço

    • André, espero que vocês tenham tido dias muito especiais juntos! Essa é a parte mais difícil, com certeza… Abraços!

  9. Olá Rode ;)

    Muito bom o seu depoimento ;), e sim, saudade é mesmo um sentimento ingrato :/ :(

    Nasci e cresci no Brasil, porém no final da adolescência início da fase adulta, fui morar em Portugal.
    Passei lá 18 anos, fiz uma rede de amigos que passaram a ser a minha outra família, casei, tive uma filha e um dia, por 1001 motivos viemos para o Brasil, aqui estamos a pouco mais de 4 anos …PORÉM … que saudades de casa, saudades da minha família ( amigos e familiares do meu marido … muitas saudades da calmaria da minha sogra, uma verdadeira avó do Sítio do Pica-pau Amarelo ;) <3 ), saudades de andar tranquila na rua, saudades do acesso fácil e seguro para todos os lados do país, saudades da comida (ai o pastel de natas, o pão com chouriço, a bica, o vinho e o queijo serra da estrela !!!).
    Voltei para “casa”, mas choro cada vez que me lembro da MINHA casa, sim, minha casa, até porque o coração e a alma não escolhem quem amam ;)
    Sempre terei (e nem quero apaga-los ) traços do DNA brasileiro, MAS, as saudades de casa são dilacerantes :/

    • Olá, Alexandra,
      Adorei seu depoimento! A gente vive dividido entre esses dois mundos, né? Eu sinto muito a falta do Brasil, mas sei que, caso volte a morar lá, vou sofrer muito com saudades daqui… Acho que vou viver nesse dilema pro resto da minha vida! rsrs
      Tudo de bom pra vocês e „guenta“ coração!

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