Alemanha e Brasil: Situações inusitadas de um casamento binacional | Ungewöhnliche Situationen einer binationalen Ehe

(Foto: Casal de amigos que fotografei em 2014)

A vida a dois é cheia de desafios. Isso vale para qualquer relacionamento, não importando a nacionalidade dos envolvidos. Já postei aqui no blog um texto acerca de algumas características típicas do meu casamento bicultural (Para ler o artigo, clique aqui). Sou casada com um alemão e, mesmo já estando aqui na Alemanha há 15 anos (Para quem não conhece minha história de vida: Eu vim para a Alemanha com toda a minha família ainda adolescente e conheci meu esposo muitos anos depois de chegar aqui!) e tendo me integrado bem, há sempre desafios interculturais a serem vencidos e também muitas situações inusitadas, o que requer muito bom humor das duas partes…

Quando estávamos nos preparando para nos casar, meu marido ficou um tanto irritado com o fato de eu querer um tapete vermelho para colocar na igreja. Não sei se isso continua sendo tradição nas cerimônias religiosas no Brasil, mas na minha opinião não pode faltar o famoso tapete vermelho no grande dia… O problema é que aqui na Alemanha não há essa tradição, o que dificultou bastante achá-lo. Para encurtar a história: Depois de vários meses procurando, eu só fui achar o meu querido tapete vermelho três dias antes do nosso casamento! E o meu marido chegou a dizer Poxa, parece que esse tapete é a coisa mais importante da festa – hehehe… Coitadinho, acho que realmente exagerei na época:)

Bom, mas a situação mais inusitada do nosso casamento foi a seguinte: Eu já havia conversado com o maridão sobre o atraso das noivas nos casamentos brasileiros. Aí ele logo disse algo do tipo Ahhh não, não dá pra atrasar uma hora aqui na Alemanha! Imagina se os convidados alemães vão embora (rsrs). Claro que eu entendi a preocupação dele e decidi não exagerar, prometendo chegar apenas uns 5 minutinhos atrasada. Ele concordou…

Aqui na Alemanha, as cerimônias religiosas geralmente são durante a tarde. Eu me casei num sábado, às 14 horas, quer dizer, mais ou menos nesse horário… Tudo estava bem planejado para eu chegar à igreja com apenas 5 minutos de atraso (afinal, eu havia “lutado” por esse direito), mas o que aconteceu foi que, já na hora de sair do salão de beleza onde eu me arrumei, a coroa que eu estava usando começou a balançar demais, ameaçando cair. Tive que me sentar de novo para que ela fosse mais ou menos costurada entre os meus cabelos… Isso causou um maior atraso da minha parte. Tudo bem, normal, pensaria-se no Brasil. O maridão, que leva números e horários combinados muitíssimo a sério, disse lá para o pessoal na igreja: Bom, a Rode disse que vai se atrasar 5 minutos. São 14:05 horas, está na hora de entrarmos, porque ela já está chegando – Entraram os padrinhos e  ele com a minha sogra (Essa parte foi bem brasileira). Aí eu sei o que vocês estão pensando: “Como assim, começaram o casamento sem a noiva ter chegado???”. Bem-vindos ao mundo intercultural:) . Sabem o que aconteceu??? Por conta do problema com o penteado, eu só fui chegar à igreja às 14:25 horas, sendo que o maridão já estava me esperando no altar há 20 minutos!!!!!!!!!!!!!! Sim, ele ficou lá na frente plantado vendo a cara preocupada de vários convidados que se perguntavam se eu ia aparecer ou não:) hahahaha – Gente, quando eu entrei na igreja, vi todo mundo meio que comemorando a minha chegada, hoje eu sei que estavam todos aliviados com o fato de que eu não havia desistido do casamento… hehehe

O maridão disse que em momento algum se preocupou  e que tinha certeza de que eu chegaria ao altar… Mas acho que esse erro ele não cometeria de novo. Confesso que fiquei arrasada quando fiquei sabendo da situação constrangedora que aconteceu no nosso casamento, mas agora, passados vários anos, eu dou risadas sobre esse mal-entendido entre duas culturas tão diferentes. Pedi permissão ao maridão para contar isso aqui no blog. Hoje em dia damos boas risadas quando nos lembramos desse “mico”, mas não dizem por aí que sempre há algo que dá errado numa festa de casamento? Então, o importante é o matrimônio em si dar certo! E isso requer disposição das duas partes envolvidas. Meu marido e eu somos muiiiiito diferentes um do outro (quem nos conhece sabe disso), mas não há nada melhor do que investir juntos em algo que vale ( e muito!) a pena!

Então, se você também está se preperando para se casar com um alemão/uma alemã, ou está começando um relacionamento binacional, eu lhe dou um conselho: Relaxe e não leve as diferenças culturais tãããão a sério – com muita compreensão, bom humor e disposição é possível vencer muitos desafios! E dar boas risadas também:)

Alguém de vocês também já passou por algo parecido? Conte-me!

Abraços,
Rode


Das Leben zu zweit ist voller Herausforderungen. Das gilt für jede Liebesbeziehung, egal welche Nationalität die beiden Partner haben. Ich habe hier auf dem Blog bereits über meine binationale Ehe berichtet (Um den Text zu lesen, bitte hier klicken). Für diejenigen, die es vielleicht nicht wissen: Ich bin mit einem Deutschen verheiratet und, obwohl ich schon seit 15 Jahren in Deutschland lebe (das entspricht fast der Hälfte meines Lebens), gibt es immer wieder interkulturelle Aspekte, die wir mit viel Humor meistern müssen…

Als wir dabei waren, unsere Hochzeitsfeier vorzubereiten, war mein lieber Mann etwas genervt, denn ich habe die ganze Zeit nach einem roten Teppich gesucht. Ja, ohne einen roten Teppich wird in Brasilien nicht geheiratet! Das Problem war aber nur, dass ich überall suchen musste, um ihn erst drei Tage vor der Hochzeit zu finden… Mein armer Mann sagte damals, dass er das Gefühl hatte, es ginge nur um den roten Teppich, und da tat er mir schon sehr leid, denn ich habe wahrscheinlich ein wenig übertrieben:)

Aber die ungewöhnlichste Situation, die es auf unserer Hochzeit gab, war Folgende: In Brasilien kommt die Braut IMMER zu spät, und zwar mindestens eine Stunde. Das gehört dazu. Ich hatte mit meinem Mann schon darüber gesprochen, und wir haben ausgemacht, dass ich natürlich keine ganze Stunde zu spät komme (schließlich waren die meisten Gäste Deutsche), aber dass ich fünf Minuten zu spät komme, damit es zumindest ein ganz wenig auf mich gewartet wird. Er war damit einverstanden…

Alles war so geplant, dass ich um 14:05 Uhr an der Kirche ankomme. Problematisch war aber, dass das Krönchen, das ich auf dem Kopf hatte, nicht gehalten hat, so dass ich mich wieder hinsetzen musste, damit die Frisörin es irgendwie an meinen Haaren festmacht. Das hat natürlich wieder ein paar Minuten in Anspruch genommen,  so dass ich erst um 14:25 Uhr an der Kirche ankam. Blöd für meine Gäste, aber passiert. Nun kommt’s: Weil wir ja ausgemacht haben, dass die Trauung um 14:05 Uhr beginnt, ist mein Mann – zusammen mit den Trauzeugen und seiner Mutter (so wird es in Brasilien gemacht) – bereits zu dieser Uhrzeit bei offizieller Musik in die Kirche eingezogen. Er stand also ganze 20 Minuten auf dem Altar, und keiner wusste, wann ich komme (der eine oder andere hatte wahrscheinlich Bedenken, ob ich überhaupt komme… *lach*). Als ich endlich da war, fand ich so toll, dass jeder mich so angestrahlt hat, nun weiß ich warum…

Mein Mann sagt, dass er in keinem Moment gezweifelt hat, dass ich komme:). Aber ich glaube, er würde es nicht wieder so machen, sondern würde warten, bis ich wirklich da bin. Heute, ein paar Jahre später, können wir darüber lachen, und er war damit einverstanden, dass ich über diese lustige Situation, die nicht zuletzt wegen kultureller Unterschiede passiert ist, berichte. Man sagt ja, es gehöre dazu, dass auf einer Hochzeitsfeier manche Dinge schief laufen. Und ganz ehrlich: Viel wichtiger ist doch, dass die Ehe gut läuft:)

Wenn ihr vielleicht auch eine interkulturelle Ehe oder Beziehung führt, dann möchte ich euch einen Tipp geben: Nehmt die kulturellen Unterschiede ernst, aber nicht zu wichtig, sondern versucht mit viel Humor euren gemeinsamen und oft herausfordernden Weg zu meistern…

Wenn ihr auch solche lustige Situationen erlebt habt, dann würde es mich freuen, eure Kommentare zu lesen…

Bis zum nächsten Mal,
Rode
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Veröffentlicht von Rode

Brasileira, residente na Alemanha, docente universitária e blogueira apaixonada por idiomas e viagens | Brasilianerin in Deutschland, Uni-Dozentin und Bloggerin mit einer großen Leidenschaft für Sprachen und Reisen

15 Kommentare

  1. Adorei sua história. Imagino a tensão do povo alemão esperando a noiva que não chegava. também sou casada com alemão e temos as diferenças de cultura, mas não são muitas já que conheci meu marido no Brasil e moramos um bom tempo lá, no nosso casamento que foi no Brasil ele me proibiu de atrasar, além de ter os convidados alemães ele dizia que era muita falta de educação com todos os convidados, expliquei da tradição e ele também me concedeu os minutos de atraso, no MÁXIMO 10 minutos mas que se passasse não casava mais. Fiquei tão tensa, que cheguei adianta e tive que me esconder para os convidados que estavam chegando não me ver. Ah os alemães.

  2. Casamentos em geral já tem tantis ajustes né, pra agradar as duas partes…

    No nosso caso somos ambos brasileiros, casamos no Brasil mas odiamos atrasos, tanto que marcamos o casamento pra 15 minutos antes porque sabia que se não entraríamos numa igreja praticamente vazia. E ainda assim teve gente que chegou depois…

  3. Oi Rode,

    macht echt Spaß, Dein blog zu lesen – gostei muito !

    „Anekdötchen“ zu unserer deutsch-brasilianischen Hochzeit :

    Standesbeamtin (zur brasilianischen Braut) : „… so sagen Sie laut und deutlich ‚Ja‘.“
    Braut : „SIM !“
    Ich : „Neee – ‚JA‘ !“
    Braut : „Ahh – JAAAAAA !“

    und alle mussten laut lachen / e tudo mundo rindo alto ! :-)

    Einen schönen Sonntag Euch !

    T.

    • Hallo, Theo!
      Herzlich willkommen auf meinem Blog!
      Wie schön, dass ihr „ja“ zueinander gesagt habt! Eins kann ich dir versprechen: Es werden noch viele Anekdoten kommen:)
      Alles Liebe
      Rode

  4. Hahaha! O mico do meu casamento com o maridão foi a bênção do padre na igreja. Nós nos casamos no Brasil e lá é super comum o padre pedir a todos os convidados que estendam as mãos sobre os noivos para abençoá-los. Para os brasileiros, nada demais, mas os convidados alemães se sentiram extremamente incomodados com aquele gesto que, na visão deles se assemelhava muito à saudação dos nazistas. Depois rimos muito mas na hora dava para ver a cara de tensão e a „bênção“ acanhada de cada um dos convidados alemães e da família do meu noivo…hahahahah! Que saia justa!

  5. No meu casamento alemao, que foi so no civil, acho que duas coisas nao me agradaram muito.
    A primeira foi a pessoa que se dispos a traduzir a cerimonia.
    Ela ja era moradora ha anos no pais e julgavamos que tiraria de letra a situacao, pois foi a mesma quem se ofereceu como tradutora.
    Na hora parece que deu branco ou ela nao sabia traduzir mesmo e ficou dizendo coisas repetidas.
    Um dos convidados comentou com meu marido que ela falava sempre a mesma coisa.
    Ate eu que nao sabia muito alemao vi que havia algo errado.
    Fiquei meio constrangida, mas fazer o que?!
    A segunda foi em relacao a decoracao.
    Escolhemos uma vinicola familiar para a festa e combinamos que nas mesas haveriam casticais grandes, de prata.
    Pouco tempo antes do evento houve uma briga entre os irmaos que dirigiam o negocio e no dia do casamento nao havia os casticais escolhidos nas mesas.
    Deu vontade de reclamar, mas nao quis estragar meu dia e a festa por causa de detalhes pequenos, mas vi que acordos podem nao ser cumpridos tambem aqui.

  6. Oi Rode, eu já casei 3 vezes, 2 com alemães. Em 2 cerimônias houve problema também. Mas confesso que estou cansada das relações binacionais. Nada como alguém que entende o que queremos dizer sem usarmos uma única palavra, só porque ouviu a mesma coisa que a gente, seja música, um discurso, uma poesia… As diferenças culturais ajudam a minar o que se pensa ser uma base sólida no casamento, até o amor vai perdendo a força. É uma pena.

  7. O casamento de minha filha com seu marido alemão foi aqui no Brasil. No horário da cerimônia ela estava pronta, pois garantiu ao seu noivo que não atrasaria, ele também estava pronto, só que fechado em um quarto, para que não visse a noiva, pois ficaram na mesma casa. Eis que eu, a mãe da noiva, ao colocar meu vestido, o fecho arrebentou atrás. Os noivos combinaram de não se atrasarem, então, podem imaginar o meu desespero, não sabia o que fazer, daí minha outra filha lembrou-se das tias costureiras e ligou correndo para verificar se elas já não teriam ido para a igreja, por milagre chegamos a tempo, justo na hora que estavam se preparando para sair. Meu vestido foi costurado às pressas, no corpo e as mãos de fada de minhas cunhadas fizeram uma costura invisível. Para que minha filha não ficasse tão preocupada disseram que o cabelo de sua irmã não havia ficado pronto, mas que já estávamos a caminho, quanto ao noivo ficava batendo na porta do quarto em que estava trancado, gritando em inglês: „Tem alguém aí? Que horas são? Não está na hora do casamento? Já estou pronto.“ Bem, passaram-se 15 minutos até chegarmos para levá-lo à igreja, na frente de meu marido que levaria minha filha. Os convidados não se importaram, pois aqui no Brasil já estamos acostumados aos atrasos das cerimônias de casamento. Mas, pedi mil desculpas ao padre, aos noivos, sobretudo ao meu genro, que não suporta atrasos e graças a Deus no final deu tudo certo. Felizmente, ninguém se aborreceu e tanto a cerimônia quanto a recepção foram lindas. Hoje damos boas risadas ao lembrarmos. Mas, que situação!

    • Adorei ler seu relato, Beatriz!!!! Realmente, que situação:) Mas que bom que deu tudo certo! Abraços…

  8. Muito legal a história! Não sou alemã, não me casei com um alemão. Somento amo a cultura!
    Amei as histórias!

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